Covid: Mais de 200 médicos do RN criticam protocolo para medicação sem eficácia comprovada

Uncategorized | jul 21 | 2020 | No Comment

Com Informações da Agência Saiba Mais e Portal Agora RN


Médicos que atuam no RN divulgaram uma nota em que pedem, ao Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Norte (CREMERN), a suspensão de protocolo que indica a administração de medicamentos sem evidências científicas para tratamento da Covid-19. No final de maio, o CREMERN elaborou um protocolo de atendimento liberando o uso de hidroxicloroquina associada a azitromicina, hidroxicloroquina ou cloroquina isolada e ivermectina associada à azitromicina. Mais de 216 profissionais de saúde já assinaram a nota que vem ganhando novas adesões.

Nenhum desses tratamentos, até o momento, tiveram comprovação científica que funcionam. Contudo, a Prefeitura do Natal usa o protocolo para distribuir os medicamentos sem eficácia provada para a população. A distribuição dos remédios já é alvo de averiguação pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte, que vê na postura de Álvaro Dias possível crime de propaganda eleitoral.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) Já havia se posicionado contra uso da Ivermectina na prevenção e tratamento da doença pelo novo coronavírus, reforçando que o medicamento antiparasitário tem apenas indicação para o tratamento de escabiose e piolho.

Na nota dos médicos do RN, eles reconhecem a liberdade de prescrição do médico, sob amparo da ciência, mas a inadequação de que um órgão fiscalizador, caso do CREMERN, possa ter conduta clínica própria. Tal atitude, segundo entendem, violaria a liberdade de prescrição, por nítido conflito de interesses, pois a partir de então existe um protocolo oficial pertencente ao órgão que tem o dever da isenção.

Os médicos demonstram com base nisso que o conselho poderá ser responsabilizado judicialmente no futuro em ações indenizatórias, por médicos, pacientes, Poder Público ou Ministério Público pela recomendação em protocolo oficial próprio de fármacos que hoje não têm evidências de efetividade ou de inefetividade, mas que poderão num futuro próximo se confirmarem inefetivos ou danosos, o que seria ainda pior.

Baseada nos princípios da Ética Médica a nota exige prudência do CREMERN, a exemplo da atitude prudente de outros Conselhos Regionais de Medicina de outros estados que não têm protocolo próprio.

Os médicos entendem que instituição CREMERN, que tem elevado valor para a sociedade e para os médicos, esteja prejudicada em sua missão legal pela incompreensão de todas essas variáveis, que atuam em desrespeito à ciência, à institucionalidade e à prudência.

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